Vazamento de dados do Facebook

Vazamento de dados do Facebook…e seus efeitos no Brasil

Você deve ter visto, ou pelo menos ouvido falar, do vazamento de dados do Facebook. Pois bem, o New York Times, juntamente com os britânicos do The Observer e do Channel 4 investigaram e lançaram uma bomba para o mundo: dados de mais de 50 milhões de pessoas foram usados com fins políticos, com a permissão do Facebook.

De acordo com os dados divulgados, cerca de 270 mil pessoas deram acesso aos seus dados pessoais e à sua rede de contatos, o que multiplica o número de pessoas para cerca de 50 milhões de pessoas.

O Facebook, em seu esforço de frisar que não houve vazamento de dados ou prática ilegal, acabou confirmando, em posicionamento divulgado pela empresa, que a coleta de dados de 50 milhões de pessoas por um pesquisador, via teste de personalidade, foi feita “de forma legítima e pelos canais que governavam todos os desenvolvedores à época”.

Ou seja, apesar da repercussão global do tema, é preciso entender que este não foi um caso isolado de coleta e uso massivo de nossos dados. Foi apenas mais um, em que, de forma nada transparente, um aplicativo coletou dados pessoais, inclusive de amigos daqueles que se submeteram a um teste, sem que esses soubessem, escalando rapidamente o volume de informações sobre a base de cidadãos.

Ao aceitar uma amizade na rede social, o Facebook informa os usuários que aquele contato passa a poder carregar algumas informações sobre você com ele. Isso, justifica a plataforma, bastaria para tornar tudo o que aconteceu como legítimo e legal. A única ilegalidade seria, segundo o Facebook, teria sido o repasse desses dados coletados pelo pesquisador para um terceiro, a Cambridge Analytica.

O Facebook afirma que não autoriza este tipo de prática, mas trata-se de algo extremamente comum no mercado de dados. Em quase todos os termos de uso e políticas de privacidade é possível encontrar uma frase como esta: “autoriza o compartilhamento de dados com parceiros comerciais ou com terceiros”.

Há muito tempo, organizações que atuam no campo dos direitos digitais alertam os países para os riscos do mercado de dados e tentam aprovar leis nacionais para coibir abusos como este. Recentemente, o próprio criador da Web, Tim Berners-Lee, publicou uma carta, na ocasião do aniversário de 29 anos da Internet, posicionando-se pró-regulação das grandes empresas de tecnologia.

Pesquisadores usam há tempos a segmentação para atingir determinados grupos de eleitores. Os segmentos incluem categorias como gênero, idade, renda, nível de escolaridade e tamanho da família. Segmentos também podem ser criados em torno de afiliação política ou preferências de compra. A máquina de análise de dados de Hillary Clinton, chamada de Ada em homenagem à pioneira cientista da computação, usou técnicas de segmentação de última geração para direcionar grupos de eleitores elegíveis da mesma forma que Obama fez quatro anos antes.

A Cambridge Analytica, por contrato, deu uma nova arma à máquina eleitoral de Trump. Eles também usaram segmentos, mas além de fazê-lo com dados demográficos, como Clinton, eles também fizeram segmentação usando psicografia. Qual a diferença entre dados demográficos e psicográficos? A informação demográfica é informativa, enquanto a psicologia é comportamental. Segmenta por personalidade.

Segmentar por personalidade faz muito sentido. Sabemos muito bem que duas pessoas com o mesmo perfil demográfico podem ter personalidades marcadamente diferentes. Nós também sabemos que a adaptação de uma mensagem à personalidade de uma pessoa – seja ela aberta, introvertida, argumentativa, etc. – é um processo longo.

Tradicionalmente, sempre houve duas rotas para verificar a personalidade de alguém; você pode passar a conhecer essa pessoa muito bem, normalmente durante um período prolongado. Ou faz com que essa pessoa passe por um teste de personalidade e peça a ela para compartilhá-lo com você. Nenhum desses métodos é realisticamente aberto aos pesquisadores.

A Cambridge Analytica encontrou uma terceira via, com a ajuda de dois professores da Universidade de Cambridge. O primeiro, Aleksandr Kogan, vendeu acesso a 270.000 testes de personalidade completados pelos usuários do Facebook através de um aplicativo on-line que criou para fins de pesquisa. A venda dos dados à CA foi, de fato, contra o código de conduta interno do Facebook. Além disso, os dados de Kogan também vieram com um bônus – ele coletou dados do Facebook dos amigos dos que fizeram os testes e, com uma média de 200 amigos por pessoa, isso somou cerca de 50 milhões de pessoas.

No entanto, esses 50 milhões de pessoas não fizeram testes de personalidade. É aqui que entra o segundo professor de Cambridge, Michal Kosinski. Ele descobriu uma maneira de fazer engenharia reversa de um perfil de personalidade da atividade do Facebook, particularmente “likes”. Escolher “gostar” de imagens de pôr-do-sol, cachorros ou pessoas aparentemente diz muito sobre sua personalidade. Tanto, de fato, que com base em 300 likes, o modelo de Kosinski é capaz de prever o perfil de personalidade de alguém com a mesma precisão que um cônjuge. A Cambridge Analytica pegou as ideias de Kosinski, as melhorou e as comercializou.

No Brasil, o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/14), ao estabelecer princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet, já havia dado um importante passo na proteção de dados pessoais. Vale lembrar que toda uma seção de proteção de dados e garantias de privacidade foi criada no texto do então projeto de lei após também um denunciante, Edward Snowden (ex-funcionário da Agência Nacional de Vigilância dos EUA), contar ao mundo o que sabia.

Estão previstos no MCI, por exemplo, os direitos à privacidade, à proteção dos dados pessoais e ao sigilo das comunicações privadas e dos registros. A lei também garante aos usuários de Internet o direito a informações claras e completas sobre coleta, uso, armazenamento, tratamento e proteção de seus dados pessoais; e a obrigatoriedade de consentimento expresso do usuário sobre coleta, uso, armazenamento e tratamento de dados pessoais, a partir de cláusula destacada das demais contratuais. Por fim, o Marco Civil veda a coleta de dados pessoais que sejam excessivos em relação à finalidade para a qual foi dado consentimento pelo seu titular.

Respostas regulatórias para os desafios da proteção de dados devem avançar rapidamente no mundo. Resta saber o que os legisladores brasileiros farão e com que qualidade farão. Não basta aprovar qualquer lei, na pressa de responder às denuncias envolvendo Facebook e Cambridge Analytica.

Apesar do questionamento sobre a ética do uso de dados para influenciar eleitores, o trabalho da Cambridge Analytica não é ilegal quando usa dados abertos ou cedidos pelas pessoas com conhecimento de causa. A empresa vai trabalhar no Brasil através do seu braço criado com o publicitário André Torretta, chamado CA-Ponte.

As eleições de 2018 estão no horizonte e André deu uma entrevista para a Folha de SP em janeiro falando sobre a sua atuação. “O que estamos fazendo é sistematizar e dando o olhar político e comportamento. A grande invenção da Cambridge é botar sujeitos de comportamento como eu para olhar número. O povo coloca cientista de dados para olhar número. O cientista de dados olha o número de uma maneira não comportamental. Eu olho para o número e digo: “Bem, eu consigo através dessas informações que eu tenho achar os neuróticos do Brasil para o Bolsonaro ganhar a campanha eleitoral? Consigo”. Então, tá, o André começa a definir quem é neurótico na rede e a gente começa a traçar perfis de neuróticos e começa a falar só com os neuróticos. Essa é a lógica”.

Nós da gowave, desde o primeiro momento, nos preocupamos com o sigilo, proteção de dados e principalmente, respeito e transparência.

Por isso, nossas Politicas de Privacidade e Termos de Uso estão sempre atualizadas com as melhores práticas garantindo absoluto sigilo e de que seus dados não serão compartilhados sem o seu consentimento.

Cadastra-se em https://www.gowave.com.br e aproveite promoções e programas de pontos exclusivos!

 

Fontes: https://onomedaprosa.wordpress.com/2018/03/21/entenda-a-crise-do-facebook-cambridge-analytica/

https://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/vazamento-do-facebook-reforca-urgencia-de-lei-sobre-dados-pessoais

https://exame.abril.com.br/tecnologia/a-verdadeira-historia-por-tras-do-vazamento-de-dados-facebook/

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado